felipaoLuiz Felipe Scolari ainda não está aposentado. Aos 71 anos, um dos maiores e mais vitoriosos treinadores da história do futebol nacional ainda quer trabalhar, mas não agora. O treinador tem usado seu tempo para descansar, relaxar e também para aprender.

"Eu vou para a praia por dois meses seguidos, todos os dias", disse ele em entrevista ao The Guardian antes da pandemia do coronavírus. "É a primeira vez que eu consigo fazer isso em mais de 50 anos".

Felipão está sem clube desde sua demissão do comando do Palmeiras no último mês de setembro. Mas ele não aparenta estar com pressa de voltar aos trabalhos, principalmente com o cenário atual de incertezas sobre o futuro do esporte. Mas, se o retorno acontecer antes do previsto, ele promete colocar toda sua experiência e a energia renovada no próximo desafio.

"Estou assistindo aos jogos da Premier League, aos jogos no Brasil. Estou tendo tempo de estudar os jogos, examinar os times e os gols que estão sendo marcados. Eu voltarei melhor do que antes", afirmou categoricamente o treinador do pentacampeonato mundial da seleção brasileira.

Na entrevista ao jornal inglês, Felipão repassou por toda a sua carreira, desde a época de jogador até o presente momento. E em um dos tópicos, ele relembrou quando assumiu o comando da seleção brasileira, em julho de 2001. Ele era o quarto técnico a treinar o Brasil em três anos e o time corria risco de não se classificar para a Copa do Mundo do ano seguinte.

"Naquela época, a seleção não tinha um bom relacionamento com o povo", relembrou o treinador. "Os torcedores não acreditavam. A desconfiança continuava; vencíamos um jogo mas perdíamos o jogo seguinte". A classificação para a Copa da Coreia e Japão só veio na última rodada das eliminatórias, na vitória por 3 a 0 contra a Venezuela.

Mas além do triunfo com o Brasil em 2002 e a campanha histórica de Portugal em 2006, houve outra Copa do Mundo na carreira de Felipão. E esta não ficou marcada pelo lado positivo. Em 2012, o treinador foi contratado pela CBF para ser o treinador da seleção na Copa de 2014, no Brasil.

Em 2013, após o título da Copa das Confederações, a confiança do time estava lá em cima. Eis que, um ano depois, veio a maior derrota da história do Brasil. "Nós jogamos e vencemos os jogos que sabíamos que venceríamos, alguns com um pouco de dificuldade. Então veio a semifinal e tivemos aquele momento de desequilíbrio", Felipão se corrige: "Alguns momentos de desequilíbrio".


[Eles falam] Perderam por que estavam com soberba, por que achavam que eram melhores'. Não. Nós perdemos por conta de nossos próprios erros. Eles aconteceram e foram aproveitados perfeitamente pela Alemanha. E então foi esse desastre em termos de imagens, especialmente por ter sido aqui no Brasil", relembrando o 7 a 1 da Alemanha.

O treinador não acredita que a derrota tenha acontecido por que o time sentiu a falta de Neymar, lesionado no jogo anterior contra a Colômbia. "Nós perdemos por que não jogamos bem e tivemos momentos de falta de concentração. Perdemos por que não tivemos a oportunidade de nos colocar em campo em uma posição que oferecesse dificuldades para a Alemanha".

"Foi o maior desastre que a seleção já sofreu, provavelmente", concluiu Felipão. "Em 1950, eles perderam também, foi um desastre, mas foi somente por 2 a 1. Pelo número de gols, [nossa derrota] foi diferente".

 

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Foto: divulgação