O papanicolau é um exame rápido e simples, disponível no SUS (Sistema Único de Saúde), que permite a identificação de alterações nas células do colo uterino, que podem ser precursoras do câncer de colo de útero ou um sinal do início da doença.

Segundo informações divulgadas pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), este tipo de câncer é o terceiro mais incidente entre mulheres no Brasil. Apenas para o ano de 2022, foram estimados 16.710 novos casos da doença. O ginecologista e obstetra Alexandre Pupo, dos hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, explica quais grupos devem se atentar para a realização do exame.

“A recomendação do Ministério da Saúde é a partir dos 25 anos de idade e já ter vida sexual. Antes disso, não há recomendação da coleta do papanicolau, a não ser pacientes que já tenham iniciado a sua vida sexual e sejam imunossuprimidas, ou por questões de doença, ou por transplante e uso de medicações imunossupressoras.”

E acrescenta: “uma outra situação seriam pacientes mais jovens e que, no exame de rotina ginecológico, seja identificado alguma alteração do colo do útero ou lesão sugestiva”. O exame também é comumente relacionado ao HPV (sigla em inglês para papilomavírus humano), pois, de acordo com o Manual MSD de Diagnóstico e Tratamento, “praticamente todos os tipos de câncer de colo do útero são causados pelo HPV”.

O ginecologista destaca que “a pesquisa do HPV é associada ao papanicolau para aumentar a sensibilidade, a capacidade de detecção de alterações de risco para a paciente”.

Além disso, o exame é capaz de identificar nas células as lesões relacionadas ao HPV e infecções, como a candidíase. Isto ocorre porque o material colhido é constituído por bactérias e fungos característicos, que podem ser reconhecidos no microscópio e analisados por um profissional especializado, como o citologista.

Grupos de risco

Os pacientes considerados mais suscetíveis e que devem realizar o exame são aqueles expostos a fatores de risco para o câncer de colo de útero, como tabagismo e a imunodeficiência, pessoas que têm alto risco para o HPV ou que possuem lesões precursoras do câncer.

“Esses seriam os pacientes do grupo de alto risco e que deveriam fazer o papanicolau anual. Fazendo dessa maneira a probabilidade de identificar uma lesão precursora apenas quando o câncer já está instalado diminui significativamente, praticamente zerando esta situação”, explica Pupo.

O ginecologista também acrescenta a este grupo os indivíduos que se expõem mais ao risco de contaminação, como aqueles que não utilizam preservativos, têm múltiplos parceiros e que já tenham tido alguma IST (infecção sexualmente transmissível). Assim como os demais, eles devem realizar o papanicolau anualmente.

Pupo alega que os pacientes que estão fora da lista, considerados de baixo risco, podem realizar o exame a cada três anos.

Todavia, o obstetra explica que existem situações não planejadas que exigem o teste, como “quando você tem alteração em um exame de papanicolau e, dependendo dessa alteração, é pedido que se repita no prazo de seis meses”. Detalhes do exame

O papanicolau começa com a colocação de um aparelho para entreabrir o tubo vaginal, popularmente conhecido como bico de pato, que permite a análise visual do médico.

Na sequência, o profissional colhe com uma espátula as células necessárias, que são esfregadas e fixadas sobre uma lâmina de microscópio e enviadas para análise.

“Na segunda parte, há a utilização de uma escova endocervical, como se fosse uma escovinha de rímel, que é colocada no canal cervical, e são feitas de três a cinco rotações de 360º. O que tem nessa escova também é colocado e esfregado sobre uma lâmina de microscópio”.

O papel do citopatologista será identificar durante a análise das amostra a presença de bactérias e fungos "e avaliar que tipo celular há ali, qual a quantidade de cada tipo, como está a coloração; e então ele consegue avaliar se existe algum risco de alteração do colo do útero ou não”, complementa o especialista.

R7