A covid-19 pode causar queda de cabelo nos infectados, segundo a dermatologista Lorena Barcelos, que observou um aumento dos casos de eflúvio telógeno, queda aguda dos fios após uma infecção viral, entre os pacientes do seu consultório que já contraíram a doença.

O problema nos fios como consequência do contágio pelo novo coronavírus apareceu em um levantamento norte-americano realizado com 1500 pessoas pela Escola de Medicina da Universidade Indiana e pela Survivor Corps, que listou os sintomas que podem persistir mesmo após a recuperação da covid-19.


“Até que haja mais pesquisas que nos ajudem a entender por que esses sintomas de longo prazo estão acontecendo e como tratá-los, milhares de pessoas continuarão a sofrer (...) pela incerteza sobre quando elas se sentirão bem novamente”, disse a pesquisadora Natalie Lambert, responsável pelo mapeamento, por meio de nota.

De acordo com Lorena, o problema aparece cerca de oito semanas após o contágio e pode durar até seis meses. “É um tipo de queda muito conhecido entre os dermatologistas, secundária à infecção por algum vírus, que também pode ser causada pelo estresse em decorrência da doença ou pelo uso de medicamentos”, explica.

Segundo a especialista, a queda é benigna, mas é necessário uma investigação profunda para observar se não há outras causas associadas, como um distúrbio nutricional ou alteração hormonal, que podem potencializar o problema.


Não há uma relação entre a gravidade do quadro desenvolvido pela covid-19 com o surgimento da queda de cabelo. “Ainda não se comprovou se existe um grupo de pacientes que têm mais predisposição. Pacientes que tiveram quadros graves podem não ter queda, e pacientes que tiveram quadros leves podem ter queda aguda”, afirma Barcelos.

A recomendação é a de que um dermatologista seja consultado aos primeiros sinais de queda e, assim, dar início ao tratamento adequado para cada pessoa. Em alguns casos, é possível que um exame sorológico seja solicitado para identificar se não houve um contágio assintomático do novo coronavírus.

“É preciso investigar a queda na base, para observar se existem outros fatores associados ou causa genética. E, a partir disso, iniciar o tratamento específico como o uso de loções, medicamentos, tratamentos a laser ou até mesmo injetáveis no couro cabeludo'', explica a dermatologista.

A especialista alerta para casos de negligência, em que se associa a queda a um evento passageiro após a covid e o tratamento não é feito a tempo de evitar danos mais graves aos fios. “A queda pode ser transitória e fácil de reverter, mas tem que sempre procurar uma consulta para que esse cabelo possa se recuperar por completo”.