Hepatite B tem cura? Essa é uma das perguntas mais frequentes quando o assunto é essa infecção viral que afeta o fígado e pode levar a complicações graves, como cirrose e câncer hepático.

hepatite

Embora a vacina e os tratamentos antivirais ajudem a controlar a doença, a forma crônica ainda é um desafio para milhões de pessoas em todo o mundo.

Atualmente, os tratamentos disponíveis conseguem reduzir a replicação do vírus e minimizar os danos ao fígado, mas não eliminam completamente o vírus do organismo. Portanto, hoje, a hepatite não tem cura.

Por isso, a busca por uma cura funcional — que controle a doença a ponto de não causar mais danos — tem sido o foco de pesquisas recentes.

Um estudo publicado na revista Genes & Diseases, liderado por pesquisadores da Chongqing Medical University, está investigando como o vírus da hepatite B se esconde no corpo e como é possível combatê-lo de forma mais eficaz.

Com esses avanços, a resposta para a pergunta “hepatite B tem cura?” pode estar mais próxima do que nunca.

Vamos entender melhor o que isso significa e como esses avanços podem mudar a vida de quem convive com a doença.

Hepatite B tem cura? Entenda como ela afeta o corpo

Como já adiantado, a hepatite B é uma infecção viral que ataca o fígado.

O vírus é transmitido principalmente por meio de contato com sangue ou fluidos corporais de uma pessoa infectada.

Isso pode acontecer durante relações sexuais sem proteção, compartilhamento de agulhas ou objetos cortantes, ou de mãe para filho durante a gravidez ou o parto.

A doença pode se manifestar de duas formas: aguda ou crônica.

Na forma aguda, o corpo consegue combater o vírus em alguns meses, e a pessoa se recupera completamente.

No entanto, em alguns casos, especialmente em crianças e pessoas com o sistema imunológico mais fraco, a infecção pode se tornar crônica.

Isso significa que o vírus permanece no corpo por anos, podendo causar danos graves ao fígado, como cirrose (cicatrização do fígado) e até câncer.

Atualmente, os tratamentos disponíveis, como os antivirais, ajudam a controlar a replicação do vírus e a reduzir os danos ao fígado.

No entanto, eles não conseguem eliminar completamente o vírus do organismo.

É aí que entra a grande questão: hepatite B tem cura? A resposta pode estar em uma forma específica de DNA viral chamada cccDNA.

O desafio do cccDNA: por que é difícil curar a hepatite B?

O grande obstáculo é o cccDNA, uma forma do vírus que se esconde no fígado e funciona como uma “fábrica” de novos vírus.

Mesmo com tratamentos, ele permanece no corpo, podendo reativar a infecção.

Cientistas descobriram que o vírus usa mecanismos para manter o cccDNA ativo, como modificar proteínas que envolvem o DNA.

Uma descoberta importante nesse contexto, é o papel da proteína HBx, essencial para a replicação do vírus.

Agora, o foco é bloquear a HBx e “desligar” o cccDNA.

Novas esperanças: terapias epigenéticas e edição genética

Pesquisadores estão buscando novas formas de combater a hepatite B, com foco no cccDNA.

Entre as estratégias mais promissoras estão:

  • Modificadores epigenéticos: Substâncias que “desligam” o cccDNA, impedindo que ele produza novos vírus.
  • CRISPR/Cas9: Uma técnica de edição genética que pode cortar e inativar o cccDNA diretamente nas células do fígado, com potencial para eliminar o vírus permanentemente.
  • Bloqueio da proteína HBx: Como essa proteína é essencial para o cccDNA, inibi-la pode ajudar a controlar a infecção.

Essas abordagens, somadas aos tratamentos antivirais já existentes, podem levar a uma cura funcional.

Isso não significa eliminar totalmente o vírus, mas controlá-lo a ponto de não causar mais danos ao fígado, trazendo novas esperanças para os pacientes.

Como se prevenir e tratar a hepatite B hoje?

Enquanto os pesquisadores trabalham em busca de uma cura definitiva, é importante lembrar que a prevenção e o tratamento atual são fundamentais para controlar a doença.

A vacina contra a hepatite B é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente no SUS para todas as idades.

Além disso, é essencial adotar medidas como:

  • Usar preservativo em todas as relações sexuais.
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e escovas de dente.
  • Evitar o uso de drogas injetáveis e compartilhamento de agulhas.
  • Realizar testes rápidos para hepatite B, especialmente durante o pré-natal, para prevenir a transmissão de mãe para filho.

Para quem já vive com a doença, os tratamentos disponíveis ajudam a controlar a replicação do vírus e a reduzir os danos ao fígado.

É importante seguir as orientações médicas e evitar o consumo de álcool, que pode agravar os danos hepáticos.

Quais são os sintomas da hepatite B?

A hepatite B é uma doença que pode ser silenciosa em muitos casos, especialmente nas fases iniciais.

Muitas pessoas infectadas pelo vírus não apresentam sintomas imediatamente, o que pode dificultar o diagnóstico precoce.

No entanto, quando os sintomas aparecem, eles podem variar de leves a graves, dependendo da fase da infecção (aguda ou crônica) e do estado de saúde geral da pessoa.

Fase aguda (1 a 4 meses após a infecção):

Cansaço excessivo, febre baixa, dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de apetite, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras.

Na maioria dos casos, o corpo combate o vírus, e a pessoa se recupera.

Fase crônica (infecção persistente por mais de 6 meses):

Cansaço persistente, dor abdominal contínua, inchaço no abdômen (devido a cirrose), icterícia, coceira na pele, sangramentos e hematomas fáceis.

Se não tratada, a hepatite B crônica pode evoluir para complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.

Por isso, é essencial realizar exames de rotina e buscar acompanhamento médico, especialmente em casos de possível exposição ao vírus.

O futuro da hepatite B: estamos perto de uma cura?

A pergunta “hepatite B tem cura?” ainda não tem uma resposta definitiva, mas os avanços recentes na pesquisa trazem esperança.

Ao focar no cccDNA e nos mecanismos epigenéticos que mantêm o vírus ativo, os cientistas estão abrindo caminho para terapias mais eficazes e, quem sabe, uma cura funcional.

Enquanto isso, a prevenção e o tratamento adequado continuam sendo as melhores armas contra a hepatite B.

Se você ainda não se vacinou ou não completou o esquema de três doses, procure uma unidade de saúde.

E se desconfia que pode ter sido exposto ao vírus, faça o teste rápido.

Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores são as chances de controlar a doença e evitar complicações.

A luta contra a hepatite B está longe de terminar, mas cada descoberta científica nos aproxima de um futuro onde a pergunta “hepatite B tem cura?” possa ser respondida com um sonoro “sim”.

Saúde Lab

 Foto: Canva PRO