Não. O primeiro encontro oficial entre o Prefeito de Teresina, Dr. Pessoa (MDB) e o Governador Wellington Dias (PT) não foi apenas uma cortesia para selar parceria administrativa. Foi um ato político recheado de simbolismos que apontam para uma costura de um entendimento a ser concretizado em 2022.

O primeiro símbolo desta agora declarada parceria politico-administrativa foi o aperto de mãos entre os dois gestores na escadaria de entrada do Palácio da Cidade.
O próprio Secretário de Planejamento, João Henrique Sousa, foi taxativo ao confirmar que esta quarta-feira (13) que "foi um fato político e administrativo da maior importância. O MDB é um partido da base do Governo, então recebê-lo é uma alegria, um satisfação muito grande".

Outro simbolismo vem das palavras do vice-Prefeito de Teresina. Sempre com um discurso duro contra a gestão estadual Robert Rios (PSB) conversou com Wellington Dias e agora faz parte do grupo de trabalho que vai propor obras e ações conjuntas, entre elas na segurança, para o desenvolvimento da capital. "Esse histórico de dificuldade acaba aqui e acaba hoje". Sobre o GT foi taxativo: "tenho certeza que demos um grande passo".

Um terceiro simbolismo vem da oposição, mais precisamente da resposta do Senador Ciro Nogueira (PP) ao ser questionado sobre não comparecer a um "chamamento" do Prefeito Dr. Pessoa à bancada federal para encontro na Assembleia Legislativa na última segunda-feira (11).

“Eu não tinha marcado com ele. Ele sabia que eu não iria. Estou à disposição de Teresina como sempre estive. Espero que ele tenha a capacidade de apresentar o que o prefeito Firmino Filho fez nos últimos oito anos. Eu pude ajudar. Se ele apresentar os projetos e tiver uma equipe capaz, ele vai contar com meu apoio e toda a bancada. Teresina está acima das questões partidárias. Agora, não é só fazer reunião, dizer que quer emenda, tem que apresentar os projetos”, disse Ciro Nogueira à imprensa.

Não é de se estranhar esse estremecimento. A eleição é recente. As feridas são recentes e demoraram a cicatrizar, principalmente porque Teresina é fundamental para qualquer pretendente ao Governo. Wellington Dias conseguiu eleger-se por quatro mandados tendo o PSDB fazendo oposição, mas com uma ampla base aliada conseguiu superar essa dificuldade. A dúvida é se algum outro consegue o mesmo feito, mesmo com apoio do Presidente Jairo Bolsonaro.

No atual cenário o MDB tem o Prefeito da capital e três vereadores, incluindo o Presidente da Câmara, o Presidente da Alepi, um Senador, um Deputado Federal e seis estaduais. Foram 37 prefeitos eleitos, acumulando 359.211 votos, sendo 236.339 votos apenas em Teresina com Dr. Pessoa. Isso mostra força e não falta disposição para tentar ser cabeça de chapa em 2022 (Marcelo Castro é hoje o mais cotado) e apoiar Wellington Dias ao Senado.

Mas, tem que combinar tudo isso com o Partido dos Trabalhadores que vai lutar para continuar no comando do Estado e, nesta perspectiva, aparece o Secretário de Fazenda como forte nome. Até aqui ele não arestas com os emedebistas ou qualquer outro partido da base aliada. Muito pelo contrário. Até 2022 o foco do Governo será obras em todos os municípios e elas passam pelo Programa de Desenvolvimento Econômico e Social, o PRO Piauí, que tem exatamente Rafael Fonteles como coordenador.

Para quem gosta de simbolismos, o último coordenador de um programa com tanta capilaridade foi Governador, Wilson Martins (PSB), que comandou o PAC no Piauí. Por outro lado, o MDB com Zé Filho também foi o chefe do Executivo Estadual assumindo a vaga de Wilson Martins, mas acabou derrotado na eleição por Wellington Dias.

Não. Definitivamente este encontro de hoje nada teve de inocente e distante do processo eleitoral. Mas, o jogo começou e as cartas entre PT e MDB começam a ser espalhadas na mesa. Até o fim deste jogo com a escolha do candidato ao Governo haverá caga fogo, melé, coringa e trucos. É esperar para ver, afinal política é a arte do diálogo e do convencimento de quais interesses representam de fato a maioria.

Fonte: Wesslley Sales