Em depoimento à Polícia Civil, após ser preso na madrugada desta quinta-feira, 29, depois de se entregar em um posto da Rodoviária Federal, em Teresina, Victor Gomes, de 25 anos, suspeito de matar o próprio pai a facadas, confessou o crime e afirmou que furou os olhos da vítima de forma intencional. Segundo o relato, após o cabo da faca quebrar, ele teria arremessado uma pedra contra a cabeça do pai.

O homicídio ocorreu na noite da última segunda-feira (26), dentro da residência do pai, no bairro Santa Bárbara, zona Leste de Teresina. Victor foi conduzido à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e permanece à disposição da Justiça.
O coordenador do DHPP, delegado Francisco Costa, o Baretta, afirmou que o suspeito atribuiu o crime a uma discussão iniciada após o pai passar a xingá-lo. Segundo a polícia, a briga teria começado após o jovem pedir dinheiro ao pai para comprar drogas.
"Ele confessa o crime, disse que o pai chegou em casa, foi fazer uma comida e passou a proferir xingamentos contra ele e, nesse momento, eles tiveram um entrevero, foram as vias de fato e ele terminou desferindo golpes de faca nele. Ele confessa o crime, apenas diz que foi pelos xingamentos, mas a gente tem uma informação de vizinhos de que realmente ele pedia dinheiro para drogas", explicou o delegado.
O delegado Danúbio Dias, do DHPP, detalhou a dinâmica apresentada pelo suspeito durante o interrogatório.
“Ele próprio alega que quem desferiu o primeiro golpe foi ele. Ele alegou que estava na cozinha, próximo a uma mesa, pegou essa faca em cima da mesa e, na discussão com o pai, alegou que o pai pegou um facão, mas ele confessa que o primeiro golpe foi ele que desferiu. Segundo relatos dele, esse primeiro golpe foi no peito e, em seguida, enquanto a vítima caía, ele seguia golpeando. Segundo ele, após a vítima cair, ele se ajoelha e desfere mais golpes. Parte desses golpes foi no tórax e principalmente na face. Ele alega e confessa que furar os olhos foi intencional e, após a faca quebrar, que é só nesse momento que a faca quebra, ele para de golpear o pai e alega que pega uma pedra pesada que estava na cozinha e joga essa pedra contra a cabeça do pai. Em seguida, ele vê a cabeça esmagada do pai, começa a vomitar e, em seguida, alega que vai ao banheiro, toma banho, pega a moto do pai e foge”, destacou.
O delegado Divanilson Sena, também do DHPP, afirmou que a versão apresentada pelo investigado, de que teria agido em legítima defesa, não se sustenta diante dos elementos já reunidos.
“Essa versão dele de que foi legítima defesa, a priori, não prospera. A gente tem bastante elementos, inclusive testemunhas falaram que era constante a discussão dele solicitando dinheiro para comprar drogas, discussão por causa do uso de entorpecente. Ele ficava alterado, falando coisas indevidas, então a gente não acredita nessa situação da legítima defesa que ele alega", acrescentou o delegado.
Durante o depoimento, Victor relatou supostas agressões físicas e abuso por parte do pai na infância; no entanto, a polícia afirma que, até o momento, não há elementos que comprovem as acusações.
Danúbio Dias acrescentou ainda que o suspeito não demonstrou arrependimento durante o interrogatório e que não estava sob efeito de entorpecentes no momento do crime.
“Ele alega que não estava drogado [no momento do crime], estava lúcido. O relato dele é coerente, segue a cronologia correta. Os laudos vão corroborar ou não a dinâmica que ele relatou, mas, com base nas informações que temos, é coerente a confissão dele. A linha do tempo que ele desenvolve no relato é coerente. Ele não demonstra arrependimento e diz que estava lúcido, que não estava drogado, apenas foi tomado pela fúria do momento e cometeu o crime", pontuou.
Por fim, o DHPP informou que familiares e vizinhos já foram ouvidos e que todos os depoimentos serão anexados ao procedimento de prisão em flagrante. A polícia segue com a investigação para reconstruir a dinâmica do crime, já que o fato ocorreu no interior da residência e não houve testemunhas presentes.
Com informações do cidade verde
Foto: policia militar