“Estão querendo pegar o Alandilson para Cristo”, essa foi a fala do réu Alandilson Cardoso, por volta das 13:45h desta sexta-feira, 28, quando deixava o Fórum Eleitoral de Teresina e entrava em viatura da Polícia Penal rumo a Cadeia de Altos.

Ele participou audiência de instrução e julgamento, onde prestou depoimento por apenas 20 minutos para a defesa, encerrando por volta das 13h. Alandilson é acusado de organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, usura e violação do sigilo de voto.
O Ministério Público afirma que existe documentação robusta demonstrando relação direta de Alandilson com o Bonde dos 40. O MP aponta que ele seria um operador financeiro da facção e se fundamenta em registros bancários, transações e vínculos que comprovam relação direta com diversos integrantes da organização criminosa.
A defesa de Alandilson também solicitou, em 18 de novembro, uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão completa da audiência de instrução. O processo está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.
Além dele, também prestou depoimento Emanuelly Pinho, que concluiu por volta das 13h30.
Tatiana prestou depoimento Até o momento, o depoimento mais demorado foi o de Tatiana Medeiros, que demorou cerca de 2h. Em seu depoimento na audiência de instrução, a vereadora confirmou que namorou por cinco meses com Alandilson Cardoso e negou crime eleitoral. A parlamentar foi a primeira a ser ouvida na audiência de hoje.
No processo, os promotores denunciaram que Alandilson Cardoso é um dos principais financiadores da campanha de Tatiana com comprovação no processo de transferência bancária. Há suspeita de movimentação de R$ 2 milhões oriundo de organização criminosa em favor da campanha da vereadora.
Na audiência, a vereadora respondeu às perguntas da juíza e dos advogados de defesa. Ela mostrou um vídeo com o trabalho feito pelo Instituto Vamos Juntos, entidade sem fins lucrativo criado pela vereadora. No processo, há denúncia de que o instituto foi usado para comprar votos antes e no dia da eleição.
“A exibição do vídeo é no sentido de comprovar o trabalho social do instituto”, disse Édson Araújo, advogado de Tatiana.
O colegiado dos promotores disse que o vídeo estava no processo e que não precisava ser mostrado na audiência. A defesa de Tatiana afirmou que não haveria prejuízo em mostrar a gravação e a juíza Júnia Feitosa permitiu a exibição.
Tatiana Medeiros evitou falar com a imprensa, mas pediu a um representante do Tribunal Regional Eleitoral que repassasse um recado para a categoria. Ela informou que “não vai falar com a imprensa local, que Deus abençoe as nossas vidas e desejou um feliz Natal e ano novo”.
Cestas Básicas
O extravio de 900 cestas básicas, devido à suspensão do Instituto Vamos Juntos, da vereadora Tatiana Medeiros, virou troca de acusações entre promotores e advogados de defesa nesta sexta-feria (28), quinto dia de audiência de instrução do caso da parlamentar no Fórum Eleitoral de Teresina.
O promotor Mário Normando apresentou documentos de que o Ministério Público defendeu a distribuição das cestas, no entanto, a defesa de Tatiana não apresentou manifestação e a juíza Júnia Feitosa extinguiu o processo.
“Após a nossa manifestação, o pedido da defesa foi distribuído em apartado. Nele, foi intimada a defesa de Tatiana para fazer o levantamento da quantidade de cestas básicas e a defesa se manteve inerte, então a juíza arquivou o feito", afirmou o promotor.
O advogado Samuel Castelo Branco disse que quem pediu o fechamento do instituto foi o Ministério Público. Samuel confirmou que vai pedir a reabertura da entidade.
Na denúncia do MP, o instituto tinha cunho social, mas foi usado para compras de votos em favor da Tatiana Medeiros.
Segundo o promotor Plínio Fontes, que integra colegiado junto com Mário Normando, o instituto foi usado para receber e transferir dinheiro até no dia da eleição. Os promotores garantem que há provas robustas no processo que houve compras de votos.
“As provas testemunhais foram bem categóricas, confirmando os documentos que já temos. São provas muito robustas, muito evidentes, são inúmeras transações bancárias no dia da eleição. Pix para lá, pix para cá, menção de títulos de eleitores confirmam a versão do Ministério Público”, disse Plínio Fontes.
Tatiana e Alandilson em audiência Uma das estratégias da defesa é que a Tatiana Medeiros fale durante a audiência de instrução. O advogado de Alandilson Cardoso disse que ele também iria falar. Ontem os réus ficam em silêncio. Hoje, cinco pessoas vão ser ouvidas no Fórum Eleitoral.
Um total de 65 pessoas já prestaram depoimentos como testemunhas e réus perante o colegiado de juízes, presidido pela juíza Júnia Feitosa.
Ontem foram antecipados os depoimentos da mãe de Tatiana Medeiros - Maria Odélia de Aguiar Medeiros, o padrasto - Stênio Ferreira Santos - a irmã Bianca Medeiros e Lucas de Carvalho Sena.
Hoje, cinco réus vão prestar depoimentos.
São eles: Tatiana Teixeira Medeiros, Alandilson Cardoso Passos (namorado), Emanuelly Pinho, Bruna Raquel Lima Souza e Sávio de Carvalho França.
Tatiana e Alandilson são acusados de crimes como falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, participação em organização criminosa é crime eleitoral. Já Emanuelly, Bruna e Sávio são acusados de crime eleitoral e organização criminosa.
A vereadora e Alandilson chegaram ao Fórum Eleitoral por volta das 8h40 com forte esquema de segurança.
Com informações o cidade verde