O martelo ainda não foi batido e a questão ainda não parece irreversível, mas neste momento a diretoria do Corinthians vem dando sinais de que pode abrir mão das renovações dos contratos dos meias Rómulo Otero e Juan Cazares e do zagueiro Jemerson.

O vínculo dos três acaba no dia 30 de junho e, como a diminuição da folha salarial se tornou prioridade, a manutenção do trio no elenco corintiano pode não acontecer no segundo semestre.

Um termo usado nos bastidores é "racionalidade financeira". Ou seja, a diretoria usará da razão para a tomada de decisão, abrindo mão dos jogadores caso considere o preço alto demais a se pagar. Pelas conversas preliminares, os três contratos exigiriam salários fora da realidade do clube. Até o fim do Brasileirão, quem parecia ter a situação mais encaminhada era Cazares, visto como uma referência técnica da equipe. Agente dele e de Otero, André Cury sinalizava com um acordo válido por três temporadas para o camisa 10. A questão, porém, passou a ser reavaliada.

Afinal, Vagner Mancini não tem apostado no jogador como titular neste início de temporada 2021 por concluir que ele está fora de sua forma física ideal. A situação tem gerado desconforto.

– Ele teve lesão e voltou sem estar como estava. Se não estiver bem fisicamente, em termos de agressividade, de ser vertical, de ter entrega que o torcedor aplauda, não vai jogar. Pode ser quem for. Cazares está acima do peso ainda um pouquinho. Quando recuperar a forma física, tem totais condições de jogar e isso serve para todos os jogadores – disse Mancini à rádio Bandeirantes.

A renovação de Otero também parecia provável no início do ano. Ele tem jogado bastante com Mancini, mas ainda não deslanchou.

Na última partida, contra o Retrô-PE, pela Copa do Brasil, fez o primeiro gol de falta pelo Corinthians, sua principal característica. Mesmo assim, é um jogador questionado pelos torcedores. Recentemente, foi com Jô a um resort em meio à pandemia e recebeu críticas. Dos três, Jemerson é quem tem dado mais retorno dentro de campo. A dupla com Gil encaixou bem. O problema está no aumento salarial que teria de receber em seu novo contrato, já que chegou ao Timão com um "salário simbólico" após o clube pagar sua saída do Monaco, da França.

Mancini gostaria de contar com o jogador de 28 anos, mas sabe que a manutenção depende de um investimento alto. A diretoria diz que "não fará loucura por ninguém". O Atlético-MG já fez consulta sobre as condições para contratar o zagueiro e aguarda uma definição.

Algo que pode tornar essa decisão mais fácil é o bom momento do uruguaio Bruno Méndez, de 21 anos, visto como um futuro titular. O elenco conta ainda com Raul Gustavo, também de 21, além de João Victor e Léo Santos, de 22. Danilo Avelar, de 31, recupera-se de cirurgia no joelho.

A possível saída dos três jogadores poderá, inclusive, causar um outro efeito dentro do elenco corintiano. Com a economia salarial, o clube pode destinar o investimento a algum reforço pontual, algo que a comissão técnica já diagnosticou como necessário para a disputa do Brasileirão.

 

GE