Dorival Júnior foi apresentado como novo técnico do São Paulo nesta segunda-feira, no SuperCT, e explicou a decisão de retornar ao clube para uma terceira passagem. O treinador de 64 anos assumiu o comando da equipe após a saída de Roger Machado, demitido depois da eliminação para o Juventude na quinta fase da Copa do Brasil.
"Não voltaria tão cedo a trabalhar, e quando recebi a ligação do presidente, logo depois da partida, era por volta de 00h. Eu entendi aquilo que vinha acontecendo. Tinha uma viagem marcada para fora, mas acabei repensando tudo. Tenho um compromisso com o São Paulo, assumo isso, e vou procurar dar meu melhor aqui dentro. Vou fazer o máximo possível para resgatar esse momento que foi vivido por esse mesmo grupo há pouco tempo. É um trabalho que espero que seja a sequência daquilo que vinha sendo aplicado", justificou.
"Temos a obrigação de irmos conhecendo os problemas todos, mas procuro fazer o contato pessoalmente, no dia a dia, e provocarmos também condições em que entendam o que nós queremos taticamente, uma alteração ou outra, mas aproveitando o que vinha sendo desenvolvido. Recuperar o que vinha sendo feito e desenvolver processos para encontrar novas soluções para que os jogadores possam reencontrar a confiança e tenham um leque de opções para que os resultados voltem a acontecer", acrescentou.
De acordo com Rui Costa, executivo de futebol do São Paulo, Dorival Jr. aceitou reduzir a pedida salarial para fechar com o Tricolor. Além disso, o treinador voltou a firmar um contrato de apenas seis meses, ou seja, somente até o final da temporada.
"Ele sempre nos recebe na sua casa, na sua família. É uma decisão que, para ele, sempre foi além de um contrato. Rapidamente, a decisão de voltar ao São Paulo foi estabelecida por ele. O Dorival, depois de quase dez anos, aceitou um contrato de seis meses. Ele nunca aceitou um contrato de seis meses. Vocês que acompanham o futebol e sabem os valores que o mercado trata, e quanto o Dorival é importante nessa indústria, ele aceitou um valor inferior àquele que ele tinha por contrato no clube anterior", afirmou Rui.
Principal desafio e alerta neste início de trabalho Para Dorival Júnior, o principal desafio deste início de trabalho no São Paulo será a recuperação, a curto prazo, da confiança do plantel. O comandante precisa promover uma rápida virada de chave no elenco, uma vez que o clube ainda tem duas semanas cheias pela frente antes da pausa para a Copa do Mundo.
"Temos que ter consciência do que estamos vivendo no momento. O primeiro passo é a recuperação dessa confiança que vem nos faltando, para então termos um planejamento daquilo que podemos alcançar. Esse é o nosso grande desafio, justamente tentar provocar uma condição em que exista uma mudança rápida e uma preparação para um reínicio futuro, até porque essa pré-temporada inicial que tivemos prejudicou muito nossos clubes. Vejo muitas equipes passando por dificuldades ao longo da temporada em razão da falta de dias no início do ano que fizessem com que tivéssemos campeonatos mais equilibrados", avaliou.
Dorival Júnior também alertou que este início de caminhada no São Paulo não será fácil. Apesar da quarta posição na tabela do Campeonato Brasileiro, o time tem oscilado muito no torneio nacional e foi eliminado da Copa do Brasil. A única estabilidade da equipe, no momento, é na Copa Sul-Americana, com a classificação ao mata-mata praticamente encaminhada.

"Não vai ser um trabalho simples. Não achem que cheguei aqui e vou resolver os problemas. Também tive problemas ali do lado [Corinthians], fizemos de tudo para encontramos um caminho nos últimos jogos e não conseguimos. Mas acima de tudo, é estarmos conscientes de que dificuldades acontecerão, mas juntos poderemos encontrar caminhos. É esse caminho que poderá ser facilitado com a participação do nosso torcedor. Quem viu o Morumbis como nós já vimos, ver agora com 16 mil, 20 mil pessoas, quase vazio, em razão de uma situação que nós mesmos provocamos. Temos que voltar a movimentar nosso torcedor, para que volte a acreditar em todos nós. Me considero comandante de um grupo, mas parte integrante de um processo em que todos nós devemos participar um pouco mais para encontrar soluções", pontuou.
Caos político e bastidores fervendo no São Paulo Assim como no Corinthians, o São Paulo vive um caos político nos bastidores, com questões envolvendo o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, e com as eleições presidenciais cada vez mais próximas. Dorival disse já estar acostumado com as questões extracampo que envolvem o futebol. No Corinthians, por exemplo, o treinador precisou ajudar a blindar o ambiente dos bastidores do Parque São Jorge.
Além disso, a torcida são-paulina também tem direcionado fortes críticas à diretoria tricolor, sobretudo ao diretor de futebol Rui Costa, com protestos fora e dentro das arquibancadas. Dorival, porém, reiterou a confiança na atual gestão, que também conta com Rafinha, atual gerente esportivo.
"Acho que vivenciei todo o tipo de situação dentro da minha carreira e da minha vida. Coincidentemente, o meu último trabalho tinha características muito próximas ao que estamos vivendo nesse momento. Só gostaria de passar um fato que para mim é fundamental: estou aqui dentro hoje, também muito pela presença de três pessoas que tive uma convivência muito grande na minha última passagem. Rafinha, presidente [Massis] e o Rui [Costa]. São pessoas que conheço, que confio e sei do potencial e entrega de cada um. Não tenho dúvidas que, juntos, poderemos fazer um clube ainda mais forte. É só termos tranquilidade, equílibrio, pedir ao torcedor que volte a sua casa, volte ao Morumbis", pediu o treinador.
"Que tenhamos o torcedor de volta, acreditando muito numa recuperação dessa equipe. Dentro do próprio campeonato, manteve uma postura sempre muito competitiviva, fruto do trabalho desenvolvido pelo Crespo e pelo Roger, e vamos dar seguimento, aproveitando o máximo de cada um desses trabalhos, para que possamos manter, no mínimo, a posição que a equipe vem mantendo. Precisamos, naturalmente, de uma reação rápida, e isso conta com a participação de todos que aqui estão. [...] Conto com o apoio dos profissoinais que aqui estão, porque sei da capacidade de cada um deles", completou.
Esta será a terceira passagem de Dorival pelo clube do Morumbis. Ele dirigiu a equipe de julho de 2017 a março de 2018 e de abril de 2023 a janeiro de 2024, quando foi convidado para assumir a Seleção Brasileira. Ao todo, o técnico soma 92 jogos pelo Tricolor paulista, com 42 vitórias, 22 empates e 28 derrotas.
"Acredito que tenha ficado aquele sentimento de, primeiro um agradecimento, e mesmo nesse período, mesmo trabalhando numa equipe coirmã, percebia o carinho do torcedor são-paulino. Tenho uma vida normal ali fora e percebi esse carinho. Para mim, é uma satisfação, um prazer estar voltando. Disposto, preparado, farei o meu melhor para que as coisas aconteçam novamente", concluiu Dorival.
O técnico irá estrear no comando do São Paulo já nesta terça-feira, na partida contra o Millonarios-COL, pela quinta rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana.
Próximo jogo do São Paulo São Paulo x Millonarios-COL (quinta rodada da Copa Sul-Americana) Data e horário: 19/05 (terça-feira), às 21h30 (de Brasília) Local: Morumbis, em São Paulo (SP)