A derrota do Santos por 3 a 2 para o Fluminense transformou a Vila Belmiro em um ambiente de forte pressão para Neymar, que vê sua vaga na Copa do Mundo se afastar a cada novo tropeço. A sequência de jogos em casa, planejada como cenário ideal para o camisa 10 ganhar ritmo, emendar boas atuações e acumular minutos com intensidade, começou de forma promissora contra o Atlético-MG, mas rapidamente perdeu força, deixando o estafe do jogador e a diretoria santista em estado de alerta.

Rodrigo Caetano, diretor de seleções da CBF, mantém contato frequente com Carlo Ancelotti, e o nome de Neymar é tema recorrente nas conversas. A avaliação envolve desde o condicionamento físico até aspectos comportamentais fora de campo.
Após atuar por 90 minutos contra o Atlético-MG, Neymar teve nova oportunidade de destaque diante do Recoleta. Apesar de ter marcado um gol, o atacante perdeu uma chance clara de ampliar o placar. O episódio ainda foi acompanhado de uma discussão com torcedores após a partida, o que aumentou a pressão em torno do jogador.
Dois dias depois, integrantes de uma torcida organizada estiveram no CT Rei Pelé para cobrar comissão técnica, elenco e o próprio Neymar, elevando ainda mais a tensão no ambiente santista.
Contra o Fluminense, o camisa 10 voltou a atuar durante os 90 minutos. No entanto, os números apontam uma performance abaixo do esperado: uma finalização, dois passes longos certos em cinco tentativas, um drible bem-sucedido em sete, dois desarmes, sete bolas recuperadas, nove duelos vencidos em 22 disputados, cinco faltas sofridas e uma grande chance desperdiçada. Ao todo, foram 83 ações com a bola e 34 perdas de posse. O jogador percorreu 255,6 metros em conduções, realizou 20 conduções, sendo seis progressivas, com 155 metros de progressão total e pico de 36,5 metros na maior delas.
— O Neymar é mentalmente forte, não acredito em falta de confiança. Ele tomou a decisão dele no momento. Podia ter chutado e talvez não fizesse o gol, e aí (a pergunta seria) por que não passou para o Rollheiser? Da mesma maneira que já deu bola para gols em outros momentos. Vem melhorando a parte física, tendo mais participação no jogo. Ele tem um mental muito forte. É questão de decisão de momento e quando não sai o gol, se questiona. Estamos deixando de matar o jogo e acontece de sofrer o gol — afirmou o excutivo do Santos, Alexandre Mattos.
A imagem de Neymar deixando o gramado com as mãos nos ouvidos viralizou nas redes sociais. O jogador, no entanto, respondeu posteriormente afirmando que apenas coçava as orelhas. Ainda assim, o episódio reforçou o clima de tensão na Vila Belmiro, em uma partida considerada importante para mostrar à comissão técnica de Ancelotti a evolução física do atacante.
Agora, com a pressão aumentando, o Santos e Neymar precisam de uma resposta imediata contra o Coritiba, na quarta-feira, pela Copa do Brasil. Se eles não conseguirem uma vitória, a vaga de Neymar na Copa do Mundo pode estar em risco. Um deslize a mais pode selar o destino do jogador, transformando o calvário doméstico em um adeus definitivo ao sonho de disputar sua quarta Copa do Mundo.
Lance
(Foto: Jota Erre/AGIF/Folhapress)