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Movimentos estudantis e de servidoras (es) da Universidade Federal do Piauí e de outras instituições, como a Universidade Estadual do Piauí (UESPI), realizaram mobilização na manhã desta quinta-feira (30), em frente à Reitoria da UFPI, durante assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Piauí (SINTUFPI), para defender mais medidas contra assédio e reforço na proteção às vítimas de casos envolvendo estudantes e demais pessoas da comunidade acadêmica.

mobilizaçaoufpi

Na tarde de ontem, 29, estudantes realizaram uma manifestação no Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), motivada pela presença, na praça de alimentação, de uma pessoa investigada por estupro. Segundo relatos dos estudantes, a situação gerou sensação de insegurança, uma vez que o investigado circulava livremente no espaço universitário, enquanto a vítima não estaria frequentando o local. De acordo com as informações apuradas, o caso teria ocorrido fora das dependências da universidade, mas envolve dois estudantes da instituição.

Durante a manifestação de hoje, 30, Dara Neto, do Movimento Olga Benário, destacou que a mobilização aconteceu após manifestação do Movimento por meio de redes sociais e contou com apoio do Movimento Correnteza. “As próprias vítimas não queriam que esses assediadores, que não só assediaram, mas as violentaram, passassem impunes, como se fossem bons moços pelos corredores da Universidade, enquanto elas estão dentro de casa, com seus cursos trancados”, destacou.

Representando o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), a docente da UFPI, Lila Xavier, frisou que a pauta do assédio já marca o Sindicato desde 2010 e elogiou a representação presente na manifestação. Ela afirmou que as mulheres não aguentam mais ser violentadas e terem seus corpos vistos pelo capital somente para reprodução de força de trabalho. “Mulheres e homens, porque não é uma pauta somente de mulheres e de estudantes, estão aqui contra essa violência que se instala na sociedade, não só na universidade. A Universidade não está ilhada, ela faz parte da sociedade e, hoje, é uma sociedade altamente violenta”, frisou.

James Dias, representante do SINTUFPI, destacou que há diversas denúncias de assédio sofrido por técnico-administrativas, inclusive, acompanhadas pela Sala Lilás. “Percebemos que tem esse momento de acolhimento, mas ainda está faltando um momento de combate ao assédio. Se o assediador continuar ileso, ele vai continuar fazendo essas práticas. A gente precisa mudar esse assédio estrutural que tem na nossa Universidade. Esse é um ato para combater isso e pedir políticas e ações efetivas, estamos do lado da universidade, para que seja um lugar mais saudável e possamos todos conviver aqui”, salientou.

O pró-reitor de Assuntos Estudantis e Comunitários, Emídio Matos, afirmou que o movimento é legítimo e necessário para o aprimoramento das ações institucionais. Segundo ele, a Universidade tem buscado responder às demandas por meio de iniciativas como a política de enfrentamento ao assédio, a atuação do comitê gestor e o funcionamento da Sala Lilás, além do acolhimento e encaminhamento das denúncias, com atenção ao sigilo para proteção das vítimas. “A gente recebe acolhendo e compreendendo que é extremamente importante a movimentação, de fato é uma luta que precisa ser coletiva e os movimentos estudantis fortalecem essa luta quando apresentam as demandas efetivas de que a gente precisa apresentar respostas. Essa é a nossa tarefa enquanto gestão: ouvir e pensar para apresentar respostas efetivas”.

Durante a manifestação, a assistente social da UFPI, Tainá Soares, compartilhou seu relato como sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, destacando a importância de tornar públicas experiências de violência como forma de encorajar outras mulheres a buscar ajuda. Ela ressaltou que muitas vítimas enfrentam o silêncio por acreditarem que não serão ouvidas ou protegidas, e defendeu a necessidade de fortalecer os espaços de acolhimento e escuta dentro e fora da Universidade. Segundo Tainá, dar visibilidade aos casos permite identificar falhas na rede de proteção e aprimorar as respostas institucionais, contribuindo para que situações de assédio e violência sejam enfrentadas de forma mais efetiva. “Para uma pessoa que é vítima de violência, a coisa mais libertadora no mundo é que o nosso pedido de ajuda possa ser percebido, escutado e acolhido”, afirmou. Ela também destacou que, em seu caso, a intervenção de uma colega foi decisiva para acionar a rede de apoio e garantir sua proteção, reforçando que o acolhimento pode salvar vidas e devolver a esperança a quem vive em situação de violência.

Como denunciar assédio ou discriminação na UFPI

Qualquer pessoa que presenciar ou sofrer assédio ou discriminação deve registrar ocorrência pelo Fala.BR, plataforma oficial de manifestações e acesso à informação do Governo Federal.

Passo a passo no Fala.BR:

Acesse falabr.cgu.gov.br.

Clique em “Ouvidoria”.

Selecione o tipo de manifestação (denúncia).

Faça login com sua conta GOV.BR.

Descreva sua manifestação e envie.

O sistema garante sigilo, acompanhamento online e notificações automáticas por e-mail.

Ouvidoria da UFPI

A Ouvidoria da UFPI oferece acolhimento e orientação, auxiliando na formalização da demanda pelo Fala.BR.

Canais da Ouvidoria UFPI:

Site: www.ufpi.br/ouvidoria

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Telefone: (86) 3237-2104

Sala Lilás Janaína da Silva Bezerra

Já a Sala Lilás Janaína da Silva Bezerra é voltada especialmente para as mulheres da comunidade acadêmica. O espaço conta com atendimento psicossocial, realizado por uma equipe formada por psicóloga e assistente social, oferecendo apoio, orientação e escuta qualificada às vítimas de violência.

O atendimento é de segunda a sexta-feira, em horário comercial, garantindo acesso contínuo e suporte humanizado.

Contato: (55) 86 9428-7263.