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A Universidade Federal do Piauí (UFPI) iniciou as atividades do Programa AfirmaSUS nos campi Ministro Petrônio Portella (CMPP), em Teresina, e Professora Cinobelina Elvas (CPCE), em Bom Jesus, com a realização das primeiras reuniões presenciais entre docentes e estudantes envolvidos.

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Vinculado ao Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde, do Ministério da Saúde, o AfirmaSUS tem como objetivo fortalecer a formação acadêmica de estudantes ingressantes por ações afirmativas, articulando ensino, pesquisa e extensão às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) e de territórios socialmente vulnerabilizados.

Embora compartilhem a mesma base institucional e compromisso com a equidade em saúde, os projetos desenvolvidos nos dois centros de ensino da UFPI apresentam especificidades em seus territórios de atuação e abordagens.

No campus de Teresina, o AfirmaSUS-CMPP concentra-se em ações interprofissionais voltadas às comunidades indígenas Warao e Guajajara em contexto urbano. A proposta tem como foco a interculturalidade, o acesso aos serviços de saúde e a articulação com movimentos sociais.

Intitulada “Interprofissionalidade, Interculturalidade e Intersetorialidade: caminhos para o cuidado e a formação em saúde de comunidades indígenas Guajajara e Warao em Teresina”, a iniciativa é coordenada pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários (PRAEC), em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PREXC) e a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PREG). O projeto é coordenado pelo professor Angelo Brito Rodrigues, do Departamento de Medicina Comunitária.

Angelo Brito explica que a iniciativa busca ampliar a formação acadêmica dos estudantes a partir de uma perspectiva mais integrada e socialmente comprometida. "O projeto atua no campo da formação interprofissional em saúde, com foco na promoção da equidade, na redução das iniquidades sociais e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da integração entre ensino, pesquisa, extensão e cultura", afirmou.

As ações envolvem comunidades indígenas em contexto urbano, com destaque para os Guajajara, da aldeia Ukair, e os Warao, indígenas venezuelanos que vivem em abrigos na capital. A proposta prevê a atuação de grupos tutoriais interprofissionais formados por estudantes, docentes e profissionais do SUS.

Entre as atividades previstas estão diagnósticos participativos, oficinas comunitárias, rodas de conversa, feiras de saúde, produção de materiais educativos bilíngues (português/Warao) e ações de educação popular em saúde. O projeto também contempla a capacitação de estudantes e profissionais com foco nos determinantes sociais e climáticos da saúde.

Desenvolvido em parceria com a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina, o AfirmaSUS-CMPP envolve serviços como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Consultório na Rua, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e vigilância em saúde.

A iniciativa está estruturada em dois eixos principais: o fortalecimento do acesso aos serviços de saúde e a valorização dos territórios tradicionais no SUS. Também incorpora debates sobre justiça social, mudanças climáticas e racismo ambiental, além de prever a criação de um Comitê Comunitário Consultivo com participação de lideranças indígenas e movimentos sociais.

Com duração prevista de 24 meses, o projeto busca ampliar o acesso à saúde, fortalecer a participação social e reorientar a formação acadêmica na área, tornando-a mais inclusiva e conectada às realidades sociais.

Por fim, o professor Angelo Brito Rodrigues reafirma que a iniciativa também contribui para a formação de profissionais mais sensíveis às diferentes realidades sociais e culturais presentes no país. "A finalidade do projeto é contribuir para a formação crítica, ética e socialmente comprometida dos futuros profissionais, fortalecendo o acesso aos serviços e a integralidade do cuidado", concluiu.

Formação acadêmica e impacto social

Para o pró-reitor de Assuntos Estudantis e Comunitários da UFPI, professor Emídio Matos, o AfirmaSUS integra um conjunto de iniciativas voltadas ao fortalecimento do SUS e à ampliação da articulação entre ensino, serviço e comunidade.

Segundo ele, a proposta surgiu a partir de discussões nacionais promovidas pelo Ministério da Saúde, durante a gestão da ministra Nísia Trindade, no contexto da Caravana SUS. “É uma proposta que vem para, de fato, trazer uma integração maior entre ensino, serviço e comunidade”, afirmou.

O pró-reitor também destacou que o programa dialoga com políticas públicas como a Lei de Cotas de 2012, ao propor um novo olhar sobre a formação em saúde. Ele ressaltou ainda a importância histórica de marcos como a 8ª Conferência Nacional de Saúde e a Constituição Federal de 1988 na consolidação do SUS.

Para a estudante de Medicina, Ana Luísa Alcântara, bolsista do projeto em Teresina, a experiência amplia a compreensão sobre o conceito de saúde. “Percebi que saúde não é só ausência de doença, é também dignidade, é território, é continuidade de um povo”, destacou.

Atuação em Bom Jesus

No campus Professora Cinobelina Elvas (CPCE), em Bom Jesus, o AfirmaSUS adota uma abordagem multidisciplinar baseada no conceito de Saúde Única, integrando saúde humana, animal e ambiental.

O projeto “Saúde Única em Territórios Indígenas do Sul do Piauí” é coordenado pela professora Márcia Paula Oliveira Farias, do curso de Medicina Veterinária, com cotutoria da professora Amanda Pinheiro de Barros Albuquerque, de Ciências Biológicas.

A iniciativa conta com a participação de docentes de diferentes áreas e estudantes dos cursos de Medicina Veterinária, Ciências Biológicas e Licenciatura em Educação do Campo (LEDOC). As ações são desenvolvidas junto aos povos indígenas Akroá Gamela, nos municípios de Currais e Bom Jesus.

Entre as atividades realizadas estão vigilância participativa em saúde, educomunicação intercultural e capacitação interdisciplinar, com foco na valorização dos saberes tradicionais e no protagonismo das comunidades atendidas.

Atualmente, o projeto reúne 10 estudantes bolsistas, sete da área da saúde e três de outras áreas, além de três voluntários. Todos ingressaram na universidade por meio de ações afirmativas.

Para a estudante Rafaela Fernandes Dias, do curso de Medicina Veterinária, a participação no projeto proporciona uma formação que vai além da sala de aula. “A gente aprende tanto quanto ensina, construindo um conhecimento mais próximo da realidade”, afirmou.

Integração entre Universidade e sociedade

O AfirmaSUS tem se consolidado como uma iniciativa estratégica de aproximação entre universidade e sociedade, especialmente em territórios vulnerabilizados. Ao articular formação acadêmica, inclusão social e fortalecimento do SUS, o programa reforça o compromisso da UFPI com a promoção da equidade, da diversidade e da justiça social na saúde pública.

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