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ANTIVIRALEnquanto as vacinas contra o novo coronavírus não chegam para toda a população mundial, pesquisas estão sendo feitas em busca de diminuir os efeitos e a propagação ainda maior da SARS-CoV-2.

A Universidade Health Network, de Toronto, no Canadá, liderou uma investigação sobre os efeitos do antiviral peginterferon-lambda, originalmente desenvolvido para o tratamento de hepatite viral, em pessoas infectadas com a covid-19. A conclusão foi que a droga acelera a recuperação de pacientes não hospitalizados e, consequentemente, ajuda a conter a disseminação da doença.

Em entrevista ao site da universidade canadense, Jordan Feld, médico especialista em fígado e coordenador da pesquisa, disse estar otimista com os resultados. “Este tratamento tem grande potencial terapêutico, especialmente neste momento, com o surgimento de variantes agressivas do vírus se espalhando pelo mundo. E elas são menos sensíveis às vacinas e ao tratamento com anticorpos.”


O estudo clínico está na fase dois e foi feito com 60 pessoas diagnosticadas com o coronavírus. Desses, 30 receberam o antiviral e outros 30 um placebo, remédio sem efeito.

Os pacientes que receberam uma única injeção do antiviral tiveram quatro vezes mais chances de se curar da infecção em sete dias, quando comparados ao grupo tratado com placebo.

Entre os participantes com carga viral alta, 79% dos pacientes que receberam a droga se recuperaram mais rápido da covid. Enquanto, apenas 39% dos que tomaram placebo se curaram no mesmo tempo.

“Se pudermos diminuir o nível do vírus rapidamente, as pessoas têm menos probabilidade de espalhar a infecção para outras e podemos até ser capazes de encurtar o tempo necessário para o isolamento”, comemorou Jordan Feld.

A interferon-lambda é uma proteína produzida pelo corpo em resposta a infecções virais. Ela tem a capacidade de ativar as células para matar os vírus invasores. O SARS-CoV-2 evita que o corpo produza interferons e o tratamento com o antiviral da pesquisa ativa as mesmas vias de eliminação de vírus nas células.

A pesquisa foi publicada na revista Lancet Respiratory Medicine, principal publicação científica do mundo, e é este o primeiro medicamento que apresenta alguma eficácia comprovada em pacientes leves e moderados da covid-19.

As universidades de Toronto, Harvard e Johns Hopkins também estudam o uso do peginterferon-lambda em pacientes hospitalizados e como pode ser usado para prevenir infecções.

 

R7

Foto: pixabay