É comum termos sempre à mão alguns medicamentos que ajudam no alívio de condições rotineiras. Analgésicos, antialérgicos e muitos outros fazem parte da rotina de muita gente, muitas vezes sem grandes questionamentos.

Mas o uso dessas medicações nem sempre considera os possíveis efeitos a longo prazo. Estudos recentes indicam que alguns desses remédios podem ir além do alívio imediato e estar associados a impactos no cérebro.
Um estudo publicado pela Alzheimer’s Association, por exemplo, apontou que certas classes de medicamentos podem aumentar o risco de desenvolvimento de demência. Confira quais!
Medicamentos que aumentam o risco de demência Anti-histamínicos Os anti-histamínicos, conhecidos popularmente como antialérgicos, atuam bloqueando os receptores de histamina, substância liberada pelo sistema imunológico durante alergias. Com isso, ajudam a aliviar sintomas como coriza e espirros.
Segundo o estudo, os anti-histamínicos anticolinérgicos de primeira geração são os que exigem mais cautela. Isso porque eles também bloqueiam a ação da acetilcolina, um neurotransmissor essencial para funções como memória e atenção.
A curto prazo, podem causar sonolência e falhas de memória. Já a longo prazo, o uso contínuo pode estar associado ao aumento do risco de demência, que pode chegar a cerca de 50%, principalmente em pacientes que utilizam esses medicamentos por muitos anos.
Antipsicóticos Os antipsicóticos, também chamados de neurolépticos, são medicamentos utilizados no tratamento de psicoses, como a esquizofrenia, e atuam no bloqueio de receptores de dopamina. Estudos científicos, como o publicado pela Bentham Science Publishers, associam o uso desses fármacos ao aumento do risco de demência, além de comprometimento cognitivo em pacientes de meia-idade.
Inibidores da bomba de prótons Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) são medicamentos que reduzem a produção de ácido no estômago e são amplamente utilizados no tratamento de gastrite e refluxo.
Um estudo publicado no periódico Neurology Journals apontou uma possível associação entre o uso desses medicamentos e o aumento de casos de demência. Uma das hipóteses é que os IBPs possam contribuir para a deficiência de vitamina B12, condição ligada ao comprometimento cognitivo. Ainda assim, não há consenso científico sobre essa relação.
Benzodiazepínicos Os benzodiazepínicos são medicamentos que atuam no sistema nervoso central, produzindo efeitos ansiolíticos, sedativos e anticonvulsivantes. Em geral, são indicados para o tratamento de ansiedade e insônia.
Alguns estudos apontam uma possível associação entre o uso desses remédios e o aumento do risco de demência, mas essa relação ainda não é totalmente clara. Isso porque condições como ansiedade e insônia, que frequentemente levam à prescrição dos benzodiazepínicos, também podem estar ligadas a esse risco ou até representar sinais iniciais da doença.
Por isso, os próprios pesquisadores ressaltam que ainda são necessários mais estudos para entender melhor essa relação.
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