A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a atualização da composição das vacinas contra a Covid-19 utilizadas no Brasil.

A nova regra estabelece que os imunizantes devem ser monovalentes —direcionados a uma única variante do vírus— e conter obrigatoriamente a cepa LP.8.1 do SARS-CoV-2, mais alinhada ao cenário epidemiológico atual.
A medida, publicada nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União, segue a estratégia já adotada internacionalmente de revisar periodicamente as vacinas conforme a evolução do coronavírus.
O que muda com a nova regra
O texto da norma é direto ao estabelecer que “as vacinas contra a Covid-19 a serem comercializadas ou utilizadas no Brasil deverão ser monovalentes e conter, obrigatoriamente, a cepa LP.8.1 do vírus SARS-CoV-2”.
Na prática, isso obriga fabricantes a atualizarem seus registros e processos produtivos, além de impactar a organização das campanhas de vacinação no país. Para evitar interrupções, a Anvisa autorizou um período de transição: vacinas baseadas na cepa anterior, a JN.1, ainda poderão ser utilizadas por até nove meses.
Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), esse tipo de atualização já faz parte da lógica de convivência com o vírus.
“A gente trabalha sempre com a vacina mais próxima possível da variante que está circulando, mesmo sabendo que existe um intervalo entre identificar a cepa e produzir o imunizante”, explica.
Por que as vacinas são atualizadas
O SARS-CoV-2 sofre mutações ao longo do tempo. Algumas dessas mudanças ocorrem na chamada proteína spike —estrutura usada pelo vírus para entrar nas células humanas e principal alvo das vacinas.
Quando essa proteína se modifica, o sistema imunológico pode ter mais dificuldade de reconhecer o vírus com base em versões antigas do imunizante. Isso não significa perda total de proteção, mas pode reduzir a eficácia contra infecções.
Kfouri destaca, porém, que o principal objetivo das vacinas segue preservado:
“Mesmo quando a vacina não é perfeitamente coincidente com a variante em circulação, ela continua protegendo muito bem contra as formas graves da doença”, afirma.
Covid não segue o mesmo padrão da gripe
Uma das diferenças centrais em relação à vacinação contra influenza é a previsibilidade.
Enquanto a gripe tem um padrão sazonal bem definido —o que permite prever com meses de antecedência quais variantes circularão—, a Covid-19 ainda apresenta comportamento irregular.
“A gente não consegue antecipar com seis, oito meses qual variante vai predominar. O vírus não tem uma sazonalidade tão clara, e isso dificulta planejar a vacina com a mesma precisão da gripe”, explica Kfouri.
Segundo ele, isso faz com que as vacinas contra Covid estejam, muitas vezes, ligeiramente defasadas em relação ao vírus em circulação —sem comprometer, no entanto, a proteção contra casos graves.
Vai ter nova campanha?
A atualização da vacina não significa, automaticamente, uma campanha universal como ocorreu nos primeiros anos da pandemia.
Hoje, a estratégia do Programa Nacional de Imunizações é mais focada.
“Não é mais uma vacinação para toda a população. A gente prioriza grupos de maior risco e usa as versões mais atualizadas disponíveis”, diz Kfouri.
Na prática, a nova formulação deve ser incorporada como dose de reforço, especialmente para idosos, pessoas com comorbidades, gestantes, imunossuprimidos e profissionais de saúde —públicos que já vêm sendo priorizados nas campanhas mais recentes.
O g1 procurou o Ministério da Saúde para detalhar como e quando a nova vacina será incorporada ao calendário. A reportagem será atualizada assim que houver retorno.
Quem já se vacinou precisa tomar a nova?
As doses aplicadas até agora continuam relevantes, principalmente na prevenção de hospitalizações e mortes.
A atualização não implica reinício do esquema vacinal, mas pode ser recomendada como reforço —a depender do perfil da pessoa e do intervalo desde a última dose.
O que muda para a população
Do ponto de vista prático, a mudança deve ser pouco perceptível no dia a dia: o calendário vacinal continua sendo definido pelas autoridades de saúde, mas as doses disponíveis passam a estar mais alinhadas às variantes recentes.
A expectativa é manter a proteção contra formas graves e melhorar a resposta contra infecções causadas pelas novas linhagens do vírus.
A recomendação é acompanhar o calendário oficial e verificar, no posto de saúde, se há indicação de dose de reforço conforme idade, condição de saúde e intervalo desde a última vacina.
G1