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A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) recebeu pena de 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além de 492 dias-multa. A Justiça determinou ainda a perda do cargo público e a proibição de exercer função pública, além da obrigação de pagamento solidário de R$ 1 milhão por danos à coletividade. A decisão é do colegiado por crimes como compra de votos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e peculato-desvio ('rachadinha'). O julgamento envolvendo a vereadora Tatiana Medeiros foi conduzido por um colegiado formado por três juízes da Justiça Eleitoral, modelo adotado diante da complexidade do processo.

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O Cidadeverde.com entrou em contato com a defesa da vereadora, que classificou a sentença como "absolutamente injusta" e informou que irá recorrer da decisão.

Caso Tatiana Medeiros: veja penas e papel dos outros réus condenados A decisão tem 205 páginas e foi publicada cinco meses depois do longo julgamento que ocorreu no final de novembro de 2025.

Segundo a sentença, ficou comprovada a existência de uma organização criminosa com divisão de tarefas, que incluía captação de eleitores, controle de votos e movimentações financeiras irregulares. O grupo também teria utilizado uma entidade social para intermediar benefícios e influenciar eleitores.

“Autoria e materialidade comprovadas”, registra a decisão ao concluir pela responsabilização dos envolvidos.

Na decisão, o juízo rejeitou pedidos das defesas que alegavam nulidade de provas e cerceamento de defesa, entendendo que não houve prejuízo processual e que os elementos coletados são válidos para fundamentar a condenação.

A Justiça também negou o direito de recorrer em liberdade para os apontados como líderes do esquema.

O presidente da Câmara Municipal de Teresina, Enzo Samuel (PV), informou através da assessoria que não irá se manifestar enquanto não houver a formalização à Câmara sobre a decisão.

Veja como foi a sentença: Tatiana Teixeira Medeiros foi condenada pela prática de cinco delitos. As penas individuais foram:

Organização criminosa (agravada pelo cargo de comando): 7 anos, 6 meses e 21 dias de reclusão + 25 dias-multa Corrupção eleitoral (por 95 vezes em continuidade delitiva): 2 anos, 7 meses e 21 dias de reclusão + 300 dias-multa Peculato-desvio (por 12 vezes em continuidade delitiva): 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão + 144 dias-multa Falsidade ideológica eleitoral: 1 ano de reclusão + 5 dias-multa Lavagem de dinheiro: 4 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão + 18 dias-multa Pena Consolidada Final: O juízo fixou a pena total de Tatiana em 19 anos, 10 meses e 07 dias de reclusão e 492 dias-multa Leia também:

Cinco dias e 70 depoimentos; veja como foi a audiência de instrução de Vereadora

Relembre todo o caso A parlamentar está presa desde o dia 3 de abril de 2025 após operação Escudo Eleitoral II, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apurou suposto envolvimento com facção criminosa, corrupção eleitoral e uso de recursos ilícitos no financiamento da campanha de 2024.

Como a parlamentar é advogada, inicialmente Tatiana Medeiros ficou presa no Quartel da Polícia Militar e em seguida conseguiu autorização da justiça para prisão domiciliar.

Em junho de 2025, a prisão preventiva foi convertida em domiciliar em razão de transtorno mental, comprovada por laudos médicos apresentados à Justiça. Em revisão da ação cautelar, realizada em setembro deste ano, a magistrada entendeu que não houve mudança no quadro fático-jurídico capaz de justificar a concessão de liberdade provisória, mantendo a prisão domiciliar com base no risco à ordem pública, conforme previsto no artigo 312 do Código de Processo Penal.

Além de permanecer em casa, a vereadora segue afastada do mandato, utiliza tornozeleira eletrônica, está proibida de frequentar a Câmara Municipal de Teresina e de manter contato com servidores da Casa.

Audiência de instrução mais longa A audiência de instrução da vereadora Tatiana Medeiros no Fórum Eleitoral de Teresina ocorreu em novembro e durou cinco dias, sendo a mais longa já realizada pela Justiça Eleitoral do Piauí.

Além de Tatiana, a Justiça Eleitoral tornou réu Alandilson Cardoso Passos (namorado); Stênio Ferreira Santos (padrasto); Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe); Emanuelly Pinho de Mello (assessora); Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã de Tatiana); Lucas de Carvalho Dias Sena (cunhado de Tatiana); Bruna Raquel Lima Souza (funcionária da ONG Vamos Juntos) e Sávio de Carvalho França (funcionário da ONG Vamos Juntos).

Os nove réus foram ouvidos pela junta de juízes, presidida pela juíza Júnia Feitosa. Magistrada, Ministério Público e defesa consideraram a audiência tranquila e esclarecedora, acontecendo sem intercorrências.

Investigação Tatiana Medeiros foi presa em sua residência no bairro Jóquei, na zona Leste de Teresina, durante uma operação deflagrada pela Polícia Federal no dia 3 de abril de 2025. Ele foi acusada de crimes eleitorais, possível envolvimento com facção criminosa e compra de votos com dinheiro proveniente da organização que mantinhha. O namorado dela, Alandilson Cardoso Passos, também foi alvo da operação, além de seu advogado e tio.

Segundo o MP, a campanha da vereadora Tatiana Medeiros movimentou mais de R$ 2 milhões de forma ilícita, fruto de recursos de orgamização criminosa e que há provas robustas de que houve compra de votos usando o instituto da parlamentar, com provas de que houve pagamentos via Pix para eleitores no dia da eleição. De acordo com o órgão ministerial, há comprovação de que o eleitor foi obrigado a tirar a foto do voto para comprovar que votou na Tatiana.

Com informações do cidade verde