É normal roncar todos os dias? Roncar todos os dias nunca é normal. O ronco eventual é normal, por exemplo, em dia que está muito cansado, se tomou álcool antes de dormir, se está resfriado ou gripado. Mas, roncar todos os dias nunca é normal e deve sempre ser investigado. Roncar não é engraçado e não deve ser constrangedor. Roncar é sinal de apneia do sono (distúrbio no qual a respiração para durante o sono), que pode ser grave. Quem ronca deve procurar ajuda médica. Quem tem um parceiro que ronca deve orientar a pessoa a procurar ajuda, independentemente do incômodo para ela mesma, pois quem ronca pode e provavelmente está doente.


Existe ronco "inofensivo" ou sempre vai indicar alguma alteração? Existe o que chamamos de “ronco primário”, ou seja, somente roncar sem doença associada. Mas, essa situação é rara e pode evoluir para apneia do sono. Mesmo o ronco primário é algo que merece atenção, pois independentemente de ser alguma doença, o próprio incômodo gerado é algo importante, segundo o otorrinolaringologista. Muitas pessoas que roncam são discriminadas em viagens de ônibus ou avião, ao compartilhar o mesmo quarto em viagens ou até mesmo em casa, porque o ronco pode atrapalhar o sono das outras pessoas.


Crianças podem roncar? Sim, muitas crianças roncam e isso é um mau sinal, pois também pode ser indicativo de apneia do sono. Infelizmente, muitos pais acreditam que roncar todos os dias “é uma característica da criança”. Isso é um grande erro e o ronco constante deve ser sempre investigado. A criança que ronca geralmente tem paradas respiratórias, sono agitado, roda muito na cama, baba no travesseiro, fica de boca aberta constantemente, toma muita água e pode inclusive reagir durante o dia com hiperatividade. Existe correlação direta entre ronco constante na criança e mau rendimento escolar.


Excesso de peso causa ronco? O excesso de peso causa ronco e ao mesmo tempo é consequência do ronco. O excesso de peso provoca aumento de gordura na garganta, especialmente na parte detrás, que chamamos de faringe posterior. Também existe deposição de gordura na região detrás da língua. Ambas as situações estreitam a garganta, levando a uma maior possibilidade de obstrução respiratória total ou parcial, gerando ronco e apneia do sono. Por outro lado, a própria doença apneia do sono gera alterações endocrinológicas hormonais durante o sono, sendo que existe um desequilíbrio entre os dois hormônios de fome e saciedade, que são leptina e grelina. Então, a apneia do sono gera o sobrepeso que piora a apneia do sono e, assim, se forma um ciclo ruim para o corpo.


Que doenças respiratórias podem estar associadas ao ronco? Muitas doenças respiratórias podem ser causas ou efeitos do ronco e apneia do sono, como desvios do septo nasal, aumento das conchas nasais, aumento da adenoide, pólipos nasais, sinusite crônica, aumento das amígdalas palatinas, aumento das amígdalas linguais, estreitamento anatômico da faringe posterior, aumento do comprimento e largura da úvula - a campainha da garganta.


O ronco pode afetar a saúde cardíaca? Sim, o ronco e apneia do sono prejudicam imensamente o sistema cardiovascular. Quando a pessoa para de respirar durante o sono por mais de 10 segundos, quando volta existe um esforço inspiratório súbito e intenso, como um efeito de um fole sendo aberto com muita força e rapidez. Isto faz com que essa pressão negativa do tórax aspire muito rapidamente grande volume de sangue venoso da cabeça e dos membros. Isso pode dilatar subitamente as cavidades cardíacas, levando a estiramento dos nervos, podendo levar a arritmias e até morte dormindo. Também existe correlação direta entre apneia do sono e hipertensão arterial e arritmias. O estado de estresse que a apneia do sono leva acaba por aumentar a adrenalina do corpo, que fica em níveis sempre altos, levando a diversas complicações, inclusive o AVC.


O ronco atrapalha a qualidade do sono? O ronco e a apneia do sono atrapalham a qualidade do sono em vários aspectos, pois a respiração não é normal e existem inúmeros períodos de queda na oxigenação do sangue e, consequentemente, queda de oxigenação do cérebro. É comum que aconteça uma fragmentação do sono com microdesperares, no qual a pessoa “acorda” várias vezes durante a noite, mesmo sem perceber, sem recobrar a consciência.


O ronco e apneia do sono prejudicam todo o corpo. Aumentam a incidência de ateroesclerose, hipertensão arterial, arritmia cardíaca, doença coronariana, infarto, AVC. Além disso, podem aumentar a resistência periférica à insulina, podendo gerar ou piorar o diabetes. Favorecem a irritabilidade, comprometem a concentração e causam sonolência constante. O ronco e a apneia também aumentam a incidência de Alzheimer precoce, pela má oxigenação crônica do cérebro.

 
Existe uma posição para dormir e não roncar? Existem indivíduos que roncam somente de barriga para cima, mas isso não é regra. A grande maioria ronca o tempo todo em todas posições, sendo mais ou menos. Mas, se a pessoa ronca ou tem apneias somente de barriga para cima, então não deve dormir nesta posição.


Pessoas cansadas roncam mais? Este é um ciclo vicioso ruim, pois o excesso de cansaço gera ronco e apneia do sono e o ronco e apneia do sono geram cansaço... Ou seja, a pessoa vive ruim, vive cansada e não consegue entender por quê.


Como saber se eu tenho apneia do sono? Quem ronca todos os dias deve procurar um médico especialista em sono, que pode ser otorrinolaringologista, cardiologista ou neurologista, e realizar um exame que se chama de “polissonografia”, que é feito em um laboratório do sono, no qual a pessoa vai dormir a noite toda lá, com monitores de respiração, oxigenação, cardiológicos, eletroencefalograma etc. Muitos acreditam que não conseguem dormir no laboratório do sono, mas isso não corresponde à realidade. A massiva maioria dorme sim e consegue-se um resultado conclusivo.

 

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