gasolinaO Ministério da Saúde identificou 900 agentes cancerígenos em ambientes de trabalho que podem ser evitados se o risco for eliminado. O dado integra o Atlas do Câncer Relacionado ao Trabalho divulgado nesta terça-feira (4) pela pasta.

O levantamento propõe medidas preventivas como uso de materiais e equipamentos apropriados.
Evitar o contato com poeiras orgânicas, agrotóxicos, metais, solventes, produtos petroquímicos e radiação podem reduzir em até 37% casos de câncer ligados ao trabalho no país, segundo a publicação.
O Atlas relaciona 18 tipos de câncer ligados à atividade diária dos trabalhadores pelo longo período de exposição a fatores de risco ou pelas condições de risco do ambiente profissional.

“O mesotelioma [tipo de câncer] é uma doença totalmente causada pelo ambiente de trabalho já que é provocada pelo contato direto com o amianto, ou seja, a ação de prevenção é não ter contato com a substância, que já é proibida no país”, afirmou Daniela Buosi, coordenadora Geral de Vigilância em Saúde Ambiental na Ministério da Saúde, por meio de comunicado.

Não-exposição reduz risco de câncer

Segundo o levantamento, a não-exposição aos agentes cancerígenos provocaria redução de até 37% das mortes por leucemia, até 15% de mortes relacionadas ao câncer de tireoide, até 15,6% das mortes ocasionadas por câncer de pulmão, brônquios e traqueia, e até 14,25% das mortes por linfomas não-hodgkin.


Entre os agentes cancerígenos estão os agrotóxicos à base de DDT, Diazinon, Glifosado, entre outros, que estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de fígado, testículo, pulmão, próstata, linfomas não-hodgkin e leucemia.

Outra agente são as poeiras orgânicas, consideradas as de exposição ocupacional mais frequente e que abrangem um grande número de trabalhadores, de acordo com a publicação. Em diversos setores de atividade, os trabalhadores estão expostos a uma combinação de poeira têxtil, de couro, de madeira e de carvão vegetal.

A exposição prolongada e repetida ao sol também foi investigada, principalmente em cidades produtoras de tabaco, no Sul do Brasil. Um dos inquéritos focou na prevenção do câncer de pele. Na mesma população, foi avaliada a ocorrência da doença da folha verde, intoxicação pelo tabaco por meio da absorção da pele, e seus fatores associados em agricultores produtores da substância.


O levantamento também mostra uma investigação realizada pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre os efeitos de substâncias como o benzeno, aditivo da gasolina relacionada ao desenvolvimento da leucemia, em trabalhadores expostos em postos de combustíveis.

O Ministério afirma que busca a eliminação de fatores de risco evitáveis associados ao câncer por meio do projeto Carex Brasil. Trata-se de uma base de dados com estimativas do número de trabalhadores expostos a agentes cancerígenos por ramo de atividade e informações sobre esses agentes.

 

R7

Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

 

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